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Indicação de Campos Neto ao Banco Central agrada mercado

Roberto Campos Neto, atual diretor da tesouraria do Santander, foi oficializado como próximo presidente do BC


O economista Roberto Campos Neto, do Santander, foi indicado como futuro presidente do Banco Central (BC) do governo de Jair Bolsonaro. E o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, permanecerá na função. Entre profissionais do mercado financeiro, a escolha de Campos Neto foi bem recebida - ex-BCs também elogiaram a indicação. A manutenção de Mansueto também é bem-vista: significa a continuação do trabalho de aprovação da reforma da Previdência e outras mudanças na política fiscal, para reversão do déficit primário.


Campos Neto poderá ser o primeiro presidente de um BC independente, caso se confirme a intenção do atual chefe da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, de aprovar no Congresso a lei que confere autonomia à instituição. O BC autônomo nasceu no fim de 1964, quando Roberto Campos, avô do presidente indicado, era ministro do Planejamento. Mas essa foi uma ideia de curta duração.


"Ele é visto como alguém competente. Tem perfil diferente do Ilan, sendo um profissional mais de mercado, mas deve ser um nome bem recebido pelos investidores", diz Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria e ex-presidente da autoridade monetária.


As indicações de Campos Neto e Mansueto foram confirmadas ontem em nota pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. O indicado ao BC precisará passar ainda por uma sabatina no Senado para ser confirmado. Ele foi escolhido por Guedes depois da recusa de Ilan, que alegou motivos pessoais para não permanecer no posto. Ele afirmou em nota que ficará no cargo até a apreciação do sucessor pelos senadores.

No comunicado, Ilan manifestou apoio a um projeto de autonomia do Banco Central, que tramita na Câmara dos Deputados. E afirmou que "continuará trabalhando junto com os parlamentares para aprovar o texto ainda em 2018".

Para Gustavo Loyola, a condução da política monetária vai depender do perfil da nova diretoria do BC. O ideal, segundo ele, é que o ela seja diversificada, integrando diretores com carreira mais acadêmica com profissionais com perfil mais de mercado. "Seria interessante que houvesse a manutenção de alguns diretores, mas essa é uma questão que ainda precisa ser definida", diz.


Com informações do Valor Econômico