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PF cumpre mandados da 57ª fase da Operação Lava Jato

A Polícia Federal cumpre na manhã desta quarta-feira (05) mandados judiciais referentes à 57ª fase da Operação Lava Jato

Arquivo/Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) cumpre na manhã desta quarta-feira (05) mandados judiciais referentes à 57ª fase da Operação Lava Jato. Batizada de Sem Limites, a ação é um resultado das investigações da 44ª fase e apura o pagamento de pelo menos US$ 31 milhões em propinas a funcionários da Petrobras, entre 2009 e 2014, por grandes empresas do mercado de petróleo e derivados — conhecidas como tradings.


Há onze pedidos de prisão preventiva, 27 de busca e apreensão e um de intimação, expedidos pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Omar Emir Chaves Neto, diretor de empresa de transporte marítimo e ligado ao ex-cônsul da Grécia, é um dos alvos de mandados de busca e apreensão.

Chaves Neto era ligado ao ex-cônsul honorário grego Konstantinos Kotronakis, que, por sua vez, chegou a ser proibido de deixar o país pelo então juiz Sergio Moro. Ele era suspeito de pagar propina ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.


Dentre as empresas investigadas com atuação internacional, estão gigantes como Vitol, Trafigura e Gleconre. Apenas entre 2011 e 2014, essas três empresas efetuaram pagamentos de propinas para intermediários e funcionários da Petrobras nos montantes de US$ 5,1, US$ 6,1 e US$ 4,1 milhões, respectivamente.

Segundo a Procuradoria da República no Paraná, somente a Trafigura realizou cerca de 966 operações comerciais com a Petrobras entre 2004 e 2015, que totalizaram o valor de aproximado de US$ 8,7 bilhões. Outras empresas tradings continuam sendo investigadas.

Os pagamentos de propina a funcionários da Petrobras tinham como contrapartida a obtenção de facilidades, como conseguir preços mais vantajosos e realizar contratos com a estatal com maior frequência. Esses funcionários pertenciam à gerência executiva de Marketing e Comercialização, que é subordinada à diretoria de Abastecimento.

Ainda de acordo com a procuradoria, as operações de trading e de locação que subsidiaram os esquemas de corrupção foram conduzidas pelo escritório da Petrobras em Houston, no estado do Texa (Estados Unidos), e pelo centro de operações no Rio de Janeiro.



Nome da propina

Funcionários que recebiam o pagamento de propina se referiam aos montantes como “delta”, uma alusão à quarta letra do alfabeto grego “Δ” que, na matemática, é utilizada para representar a diferença entre duas variáveis.

O “delta”, correspondia ao valor da vantagem indevida obtida pela trading, que era dividido entre os beneficiários do esquema, o que incluía os operadores e os funcionários da Petrobras corrompidos. Alguns investigados chegavam a se referir a esse esquema de corrupção como “delta business”, ou negócio gerador de “delta”, em tradução livre.

Para a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili, integrante da força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal em Curitiba, “as operações da área comercial da Petrobras no mercado internacional constituem um ambiente propício para o surgimento e pulverização de esquemas de corrupção”. “O volume negociado é muito grande e poucos centavos a mais, nas negociações diárias, podem render milhões de dólares ao final do mês em propina”, explicou.

“Foram corrompidos funcionários da estatal, com evidências de que ao menos dois ainda estão em exercício, para que as operações de compra e venda de derivados de petróleo favorecessem estas empresas”, afirmou o procurador da República Athayde Ribeiro Costa. “Já há perspectivas reais, aliás, de colaboração, mas não há espaço para todos, sejam corruptos ou corruptores.”, completou.

Por Jovem Pan