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Brumadinho: 'gritos, crianças chorando e fogo', voluntária descreve horror em resgate que 'não passa na televisão'

Professora relata o terror que testemunhou na cidade atingida pelo rompimento de barragem da Vale

Crédito: Arquivo Pessoal/Silvania Fonseca Moraes
A professora de ensino fundamental Silvânia Fonseca Moraes voltava do velório de um parente quando leu as primeiras notícias sobre o rompimento de barragens da mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG), na última sexta (25).


Moradora do bairro Casa Branca, localizado a cerca de 16 quilômetros de distância do local da tragédia, ela pegou seu jipe no dia seguinte e seguiu para uma região próxima à mina. Brigadista voluntária, já havia auxiliado em combates a incêndios florestais, mas nunca tinha trabalhado em resgates. Foi então que, conta, vivenciou uma das situações mais traumatizantes da sua vida.

"Nunca assisti a filmes de terror, porque nunca me interessei. Mas, infelizmente, o que vivi ali foram cenas de terror ao vivo", narra a professora, que, ao chegar à área da tragédia, foi chamada para auxiliar uma das equipes do Corpo de Bombeiros nas buscas por vítimas da tragédia.



Durante esse período, vários corpos foram encontrados pelo caminho. Assim como Silvânia, outras centenas de voluntários foram a Brumadinho para ajudar nos resgates e no apoio aos familiares de vítimas - a reportagem da BBC News Brasil conversou com alguns deles.

Silvânia acompanhava outros voluntários que ajudavam na região atingida pelos rejeitos desde o dia anterior. "Vi que tinha muita necessidade de ajuda, porque o número de vítimas era assustador. Como tenho um jipe, fui para ajudar a levar comidas aos socorristas e auxiliar desabrigados", explica.

Silvânia acompanhava outros voluntários que ajudavam na região atingida pelos rejeitos desde o dia anterior. "Vi que tinha muita necessidade de ajuda, porque o número de vítimas era assustador. Como tenho um jipe, fui para ajudar a levar comidas aos socorristas e auxiliar desabrigados", explica.

A professora conta que fez um pedido aos bombeiros: não queria ver corpos. "O que gosto é de salvar vidas. Não tenho estrutura para ver corpos", diz. "Nunca vi tanto horror na minha vida. A lama não deixou vestígios. Ela passou varrendo tudo.". Até o momento, 58 mortes foram confirmadas. Há 305 pessoas desaparecidas.


Com informações do UOL