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Brumadinho: radar de Israel pode achar corpos a 4 m da superfície

Militares brasileiros e israelenses definem estratégias para intensificar buscas de vítimas em regiões atingidas por rompimento de barragem

Bombeiros definem estratégia de atuação com militares israelensesCadu Rolim/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Equipes de militares brasileiros e israelenses deverão atuar de forma conjunta em algumas regiões atingidas pelo desastre provocado pelo rompimento de uma barragem de mineração da Vale, em Brumadinho, em Minas Gerais, na sexta-feira (25). Os radares trazidos pelas tropas israelentes conseguem identificar corpos entre três e quatro metros da superfície.


O comandante Golan Vach elogiou o trabalho dos militares brasileiros e afirmou que os equipamentos para auxiliar nas buscas de vítimas estão sendo levados a Brumadinho. O trabalho de buscas e resgate na Mina Córrego do Feijão serão divididos entre militares brasileiros e israelenses. Segundo ele, a prioridade é encontrar vítimas com vida.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros, o tenente Pedro Aihara, afirmou que as equipes não conseguiram ter acesso ao local onde funcionava o refeitório da mineradora Vale. "A possibilidade de ele ter se deslocado muito a frente de onde estava é enorme", disse. "Teremos que ampliar o perímetro de buscas."


Segundo os bombeiros, as buscas devem se estender por semanas. No entanto, Aihara explicou que após 48 horas de operação é muito difícil encontrar sobreviventes. "Em um desabamento de prédio, por exemplo, existem bolsões de ar, quando se tem toda essa lama é diferente porque não há acessos para a entrada do ar."

O rompimento de uma barragem de mineração não é considerado um desastre "tradicional". Isso porque a quantidade de lama que se locomove dificulta o acesso aos locais atingidos pela quantidade de rejeitos. O acesso aos locais afetados ocorre, basicamente, por meio de helicópteros.

Pousada devastada

Os bombeiros fizeram um acesso e diversas varreduras onde funcionava a Pousada Nova Instância para localizar vítimas, porém, com as operações ficou comprovado que a estrutura foi levada pelo rejeitos. Havia pelo menos 35 pessoas no local. "A edificação foi completamente movida", diz.

Em relação ao segundo ônibus encontrado, o Corpo de Bombeiros afirmou que retomou as buscas por vítimas nesta segunda-feira às 4h. "Avançamos durante a noite, mas pela falta de luz só conseguimos dar continuidade na madrugada de hoje, precisávamos de aparelhos de iluminação. A operação estava insustentável, não existia oferta de luz e tivemos que encerrar", afirmou. "Com ferramentas de corte conseguimos abrir um acesso, mas não dá para retirar o ônibus no momento."



Legado de Mariana

A tragédia em Brumadinho já é considerada um dos maiores desastres ambientais do país. O tenente explicou ainda que, apesar das dificuldades, o Corpo de Bombeiros tem a experiência de atuar em situações como essas em função do rompimento da barragem em Mariana, também em Minas Gerais. "Trazemos como experiência a doutrina de busca, utilização de recursos tecnológicos, georeferenciamento, o conhecimento de para onde os corpos foram levados, onde estão os maiores locais de retenção que detem o curso da lama."

Quando a lama sedimenta, segundo o porta-voz dos Bombeiros, facilita a locomoção das equipes e permite o uso de máquinas pesadas. "Nas primeiras 48 horas não operamos com máquinas pesadas, depois disso já conseguimos utilizare esse equipamento", disse o tentente.

Em relação ao grupo de cerca de 130 militares, médicos, engenheiros, bombeiros e técnicos de Israel que começa a atuar na manhã desta segunda-feira na cidade, o tenente afirmou que se trata de uma ajuda bem-vinda. "As operações dos israelenses será coordenada por nós também. Teremos reuniões de alinhamento para definir os trabalhos", diz Aihara. Uma reunião ocorrerá nesta manhã para definir a atuação dos grupos.

Fonte: R7