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Lula pediu R$ 30 milhões em propina de Belo Monte para Delfim Netto e Bumlai, delata Palocci

O ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci afirmou em delação premiada que Antônio Delfim Netto recebeu R$ 4 milhões de um acerto de R$ 15 milhões de propinas destinadas ao Partido dos Trabalhadores e supostamente repassados pela construtora Andrade Gutierrez. Valores superiores a esse já foram rastreados por investigadores.

Delfim apoiou reeleição de Lula em 2006 - Paulo Pinto/Estadão Conteúdo
No âmbito da Operação Buona Fortuna – uma das fases da Lava Jato -, em nove de março de 2018, Delfim foi alvo de buscas e apreensões. Na época, foi possível rastrear propinas em valor superior aos R$ 4 milhões indicados por Palocci, que é o primeiro delator do número político de comando do esquema de corrupção sistêmica dos governos do PT.


Antonio Palocci detalhou sua atuação no acerto de R$ 135 milhões em propinas na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte – equivalente a 1% do total do contrato de R$ 13,5 bilhões. O valor dividido de forma igualitária: metade para o PT, metade para o MDB, que na época era PMDB. Além disso, o ex-ministro envolveu correligionários no esquema.


Lula se envolveu diretamente

Segundo a delação, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “se envolveu diretamente” na corrupção de Belo Monte. O petista teria exigido que o amigo José Carlos Bumlai, pecuarista com livre acesso ao Palácio do Planalto na gestão, e Delfim Netto recebessem “milhões” no negócio, por terem formulado o consórcio vencedor do contrato.

Palocci disse ainda que “Lula informou que Bumlai e Delfim Neto deveriam receber R$ 30 milhões pela formação do consórcio alternativo”. Segundo o ex-ministro Lula estava “irritado” porque Dilma Rousseff não havia autorizado o pagamento de propinas ao PT pela construção de Belo Monte, já que haveria outro acerto com o PMDB.


O ex-presidente teria pedido para que Palocci ajudasse o então tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, a remunerar Delfim e Bumlai, cuja presença – para o ex-ministro – “significava que havia interesses também de Lula no recebimento dos valores”. Palocci ainda relatou ter recebido “visita de do executivo da Andrade Gutierrez” para tratar do assunto.

Nessa reunião, Otávio Marques de Azevedo, executivo da construtora, indagou se havia necessidade do repasse e afirmou que “iria abater os pagamentos dos valores que eram devidos pelas empresas do consórcio construtor ao PT e ao PMDB, ou seja, seriam abatidos R$ 15 milhões dos valores de cada agremiação’, segundo a delação.

De acordo com Palocci, “pela presença de Bumlai na reunião, confirmava-se o que posteriormente Lula confidenciou, de que também Bumlai pretendia receber parte dos 30 milhões” e que “os trabalhos de Bumlai eram feitos, muitas vezes, para a sustentação da família de Lula”. O ex-ministro relata que R$ 15 milhões foram quitados a Delfim e ao PT.

Com informações do Estadão Conteúdo