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Sobre a Tragédia em Brumadinho

Rodnei Costa/Eleven/Estadão Conteúdo
O drama da barragem de rejeitos no Brasil se inicia com um projeto de engenharia a ser traído no futuro, quando a demanda aumentar e a mineradora autorizar puxadinho, mal licenciado, que resolva o problema de armazenagem sobrecarregando o solo. Foi assim em Mariana.


Barragem de rejeitos é cemitério dinâmico, vivo, uma vala que amanhã não será mais como hoje. Como um intestino. Se é, na essência, sensível, precisa de acompanhamento técnico diário. Nenhuma mineradora o faz a contento. Tampouco os organismos públicos fiscalizam devidamente.


Quando se pensa nisto e se transporta a bomba para o terreno montanhoso de Minas Gerais, pronto: temos barragens no alto, próximas a rios, cursos que levam a povoados, e então imaginamos o potencial destruidor de uma massa de lama a jusante. Fundão, quando rompeu, morreu no mar.

O maior crime de todos, porém, está na desinformação calculada das populações na rota da morte. As pessoas simplesmente não sabem do risco, informação que lhes é negligenciada. Nenhum plano de contingência. Nenhum procedimento de evacuação. Vive-se aos pés de um vulcão sem saber.

Em Mariana, iniciativa privada e poder público se articularam – com negligência, corrupção e ganância – contra a sociedade. Terá sido igual em Brumadinho. Será da mesma forma da próxima vez. Até que um CEO de multinacional vá em cana.


Por Carlos Andreazza | Jovem Pan