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No Senado, Damares Alves questiona 'ideologia de gênero' e 'ativismo judicial'

“Deixa a gente mostrar para o Brasil o que os conservadores querem fazer. Se não der certo, a gente sai daqui a 4 anos. Isso é democracia.”

ASSOCIATED PRESS
No momento em que o STF (Supremo Tribunal Federal) discute a criminalização da LGBTfobia, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou em audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal que “não cabe ativismo judicial”. 

“Quando os ideológos de gênero falam que ninguém nasce homem, que ninguém nasce mulher, está mandando o recado também que ninguém nasce gay, que ninguém nasce lésbica, que isso é uma construção social e isso me preocupa muito”, argumentou.


“Ser travesti, gay é uma construção social, cultural? Isso me preocupa muito no discurso dos ideólogos”, continuou.

As falas vão na contramão do voto do ministro Celso de Mello. Na semana passada, ele afirmou que a “heteronormatividade” limita os direitos da população LGBT. Celso de Mello ainda citou a polêmica frase da ministra sobre meninos vestirem azul e meninas vestirem rosa.

Na sessão que durou pouco mais de 3 horas, a ministra afirmou ainda que a “ideologia de gênero, da forma como ela foi implantada no Brasil, não trouxe respaldo na proteção do direito da comunidade LGBTI”.



Gênero

Quando o tema foi políticas públicas para as mulheres, a ministra afirmou que o povo “não quer aborto”: “Usaram a epidemia do zika (vírus) para legalizar o aborto”, defendeu. A autorização para interrupção da gravidez em casos de zika, entretanto, ainda não foi julgada pelo STF.

Em um dos momentos mais tensos da audiência, a senadora Leila Barros (PSB-DF) questionou a interferência religiosa na atuação de Damares, que é pastora evangélica, na formulação de políticas.

“Em nenhuma das falas como ministra, a senhora vai encontrar uma vertente religiosa”, retrucou a ministra.

Em resposta aos questionamento dos senadores, Damares explicou que “agora os conservadores estão no poder” e que a democracia se constitui pela alternância de poderes.

“Deixa a gente estar mostrando para o Brasil o que os conservadores querem fazer. Se não der certo, a gente sai daqui a 4 anos. Mas isso é democracia”, defendeu.

Assista a audiência completa:



Fonte: Site Poder 360