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Pais involuntariamente ajudaram Momo a viralizar

Os vídeos passaram a circular no WhatsApp e nos stories do Instagram
Preocupados com uma corrente no WhatsApp que dizia existir vídeos no YouTube Kids em que a boneca Momo ensinava as crianças a se matar cortando os pulsos, pais do Brasil e do mundo ajudaram de forma involuntária a disseminar justamente o que temiam que seus filhos vissem. A onda de pânico extrapolou os grupos em que pais conversam sobre assuntos escolares.


Os vídeos passaram a circular no WhatsApp e nos stories do Instagram, o que deu ao assunto uma proporção grande o bastante para chegar aos olhos de crianças que jamais saberiam o que é Momo. Isso criou um efeito inesperado: ressuscitaram o desafio da Momo, que já circulara por redes sociais, sim, mas que, segundo o Google, não estava no YouTube. Ver os pais como responsáveis, no entanto, é só a ponta desse iceberg, já que o problema é mais complexo: os filhos usam eletrônicos cada vez mais cedo para construir um ambiente de privacidade em ambientes virtuais, em que os conteúdos exibidos não passam pelo crivo do debate público.


“Qualquer tipo de desvio ou determinada situação como a que ocorreu acaba criando um pânico, porque os pais estão por um lado sozinhos nessa discussão”, diz Fabio Malini, professor de comunicação da Universidade do Espírito Santo que estuda o comportamento nas redes sociais. Ele mesmo teve de conversar com a filha sobre os perigos de Momo.

Como se espalhou


Algumas mães que atuam como blogueiras disseram ter tido contato com os vídeos de Momo por meio de uma corrente de WhatsApp. A partir daí, passaram a repassar a corrente a outros pais com o intuito de avisá-los e até a distribuir o vídeo por meio de suas redes sociais.

Não há evidência de que vídeos em que Momo incentive o suicídio circularam no YouTube ou no YouTube Kids, informa o Google. Tanto é que a empresa não recebeu denúncias a respeito desse conteúdo, o que indica que poucas pessoas se debruçaram a, de fato, buscar os tais conteúdos.



O alarde dos pais

Ter partido de outros pais fez com que o aviso ganhasse ainda mais força, segundo Pase, porque se tratava de alguém conhecido, de confiança e com as mesmas preocupações: resguardar as crianças. Só que muitos pais preferiram encarar posts nas redes sociais como verdade sem questionar se seus autores realmente checaram a informação antes de passá-la adiante.

O próprio texto da corrente no WhatsApp dava pistas de onde os pais poderiam começar a averiguar a história de que Momo estava de fato presente em vídeos do YouTube. Citava os canais de Luccas Neto e Planeta Gêmeas, que nunca chegaram a hospedar conteúdos “invadidos” pela boneca aterrorizante.

Como nenhuma dessas precauções foi tomada, bastou a suspeita de que um ambiente aparentemente seguro, como o das plataformas digitais, foi invadido por uma ameaça para uma preocupação generalizada se instaurar.

A orientação dos especialistas é que os pais não contribuam para o vídeo se espalhar ainda mais. Se virem o vídeo em alguma plataforma, devem denunciar, não repassá-lo adiante. Além disso, devem abordar o assunto com seus filhos sem, porém, exibir o conteúdo dos vídeos, que podem ser perturbador para as crianças.


(UOL)