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Complexo Regulador de Altamira busca redução de espera para procedimentos

Um dos maiores desafios do sistema de saúde passa pela redução de filas, ou, a agilidade no agendamento de consultas, exames, e procedimentos médicos, como cirurgias por exemplo. Zerar as filas no Sistema Único de Saúde, é uma tarefa complicada, visto que envolve uma série de fatores administrativos, e por que não dizer, culturais. Essa é a missão do Complexo Regulador de Altamira, a central que administra as vagas na unidades de saúde em todo o município.


Uma pesquisa feita pelo Instituto Data Popular em parceria com o Hospital das Clínicas em São Paulo, mostrou que de cada dez brasileiros, seis só procuram o médico quando estão doentes. O estudo feito em 2014, e atualizado em 2018 mostrou que três quartos dos entrevistados afirmam se preocupar diariamente com a forma. Agora na prática não é bem assim que funciona. Segundo o estudo, 57% não abrem mão de comer doce e fritura, e 81% não fazem atividades físicas de forma regular.


Você deve se perguntar o que isso tem a ver com o trabalho executado na Central de Regulação em Altamira, e a resposta é simples: tudo! Quando não há prevenção, cuidado com a saúde, mesmo que mínimo, os casos de doenças graves tendem a aumentar drasticamente, precisando de internações mais longas, e mais procedimentos cirúrgicos. Quando as consultas são regulares, e os pacientes mantêm atividades físicas e cuidados com a alimentação, o número de casos agravados pela hipertensão, diabetes, e colesterol caem consideravelmente, e com isso, as filas nos hospitais de alta e média complexidade.


À frente do Complexo Regulador da Secretaria de Saúde de Altamira, desde janeiro desse ano, o enfermeiro Olaílton Carvalho tem estudado maneiras de agilizar os procedimentos mais complexos, que nos últimos anos se acumularam de forma assustadora. Ele explica que os procedimentos básicos como consultas e exames foram normalizados, e hoje não há espera, o agendamento é automático. Mas quando o procedimento é de média e alta complexidade, como internações, e cirurgias com especialistas, o paciente tem esperado.

Ao chegar à central, Olaílton se deparou com alguns números impressionantes. Quase 500 fichas estavam acumuladas, e havia casos extremos de pacientes que aguardavam há seis anos por um exame de mamografia, e outro caso que aguardava três anos por um retorno com o neurologista. Atrasos que em sua maioria foram gerados por falta de comunicação, e até desistência. “Pode parecer que isso não acontece, mas há muitos pacientes que marcam as consultas e não aparecem, agendam exames e não retornam. Já houve cirurgias desmarcadas por que o paciente esqueceu a data e viajou, o que acaba por ocupar um profissional que poderia estar atendendo outro paciente”, destacou o enfermeiro.


Para reduzir o máximo possível a espera, o novo coordenador do complexo regulador está ampliando a comunicação com a rede de saúde, e atualizando o cadastro dos pacientes, para evitar que por falta de comunicação um paciente fique esperando uma ligação. “Nossa intenção é garantir que todos sejam atendidos, que não haja longas esperas, e que todos possam iniciar e concluir seus tratamentos com êxito, nós sabemos que não é uma tarefa simples, mas é a nossa missão”, declarou.



Formado em enfermagem desde 2009, Olaílton Carvalho tem especialização em administração hospitalar, e já esteve à frente da Unidade de Pronto Atendimento – UPA, e o Hospital Geral São Rafael, em Altamira. Desafios que ajudaram o profissional a conhecer profundamente como o sistema funciona, e dessa forma, entender como a regulação precisa articular o agendamento dos procedimentos, desde os mais simples, até os especializados. “O sistema como um todo é complexo, mas funciona de forma coordenada, tudo começa com o agendamento da consulta, a partir daí nós precisamos seguir uma linha reta, que inclui a realização dos exames, o retorno do paciente com o profissional que o avaliou, e o diagnóstico, que a depender do caso, precisa ser rápido, para garantir que o paciente tenha um tratamento eficaz. Nós estamos no caminho certo, eu acredito nisso”, disse.

Texto: Xingu 230