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Posted by TV Cidade News on Sunday, October 13, 2019

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Matança no presídio de Altamira ocorreu por falta de investimento em inteligência e tecnologia

Sistema carcerário do Pará está dominado por facções do crime organizado

Presídios do Pará acumulam líderes de facções criminosas - Crédito: Reprodução - Susipe
A carnificina no Centro de Recuperação Regional de Altamira (CRRA), ocorrida no começo da manhã de segunda-feira, 29, poderia ter sido evitada com ações do serviço de inteligência, de acordo com especialista em segurança pública, que prefere não ter a identidade revelada para evitar retaliações.


Com larga experiência no sistema de segurança do Pará, ele assegura que o modelo de segurança pública brasileiro investiu muito em policiamento ostensivo e confronto policial. Porém, não houve, na mesma proporção, investimentos nas áreas de investigação, inteligência e prevenção social. Juntos, estes fatores deixaram o sistema carcerário paraense dominado pelo crime organizado.

O especialista ressalta que o Pará possui 144 municípios, dos quais cerca de 36 podem ser considerados os mais violentos, pois concentram em torno de 80% dos homicídios nos últimos anos, segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Segup).

Porém, explica, o programa Territórios pela Paz, lançado pelo governo Helder Barbalho (MDB) só concentra ações em três municípios da Região Metropolitana de Belém (RMB), Belém, Ananindeua e Marituba, sendo que somente alguns bairros serão contemplados pelo programa.

No caso de Belém, apenas cinco bairros (Guamá, Cabanagem, Terra Firme, Jurunas e Bengui) dos 72 bairros serão contemplados. "Portanto, é um programa de alcance pequeno. Por mais importante que seja, sua atuação será reduzida, pelo menos em um primeiro momento, haja vista que outras áreas violentas (municípios do Estado e bairros de Belém) não foram contempladas pelo programa", esclarece.

Guerra entre facções pode ser evitada com investimentos combate à corrupção nos presídios

Com investimentos na área de inteligência e investigação, assegura o profissional, haveria a possibilidade do sistema de segurança pública se antecipar ao crime organizado e evitar essa guerra de facções nos presídios paraenses.

No entanto, no sistema penitenciário brasileiro não houve a estruturação da atividade de inteligência. Em todo o Brasil, a investigação é realizada apenas após a ocorrência do delito. Poucas ações de inteligência voltadas são voltadas para identificar as ameaças no âmbito do sistema, como explica o especialista, o que torna o sistema reativo no caso de rebeliões e fugas, tendo basicamente a investigação Judiciária sendo o carro-chefe desse trabalho.

Ele alerta, que énecessário estruturar as unidades de inteligência do sistema penitenciário e da segurança pública como um todo, capacitando os profissionais, principalmente para o desenvolvimento de ações especializadas em produção de conhecimentos sobre todas os presos que compõem as casas penais, utilizando ferramentas tecnológicas e outros meios de obtenção de dados, que possibilitem o monitoramento sistemático do cotidiano dos detentos. Sem essa estruturação das unidades de inteligência será muito difícil enfrentar aos principais problemas do sistema carcerário não só paraense, mas de todo o Brasil.

É preciso identificar as facções que atuam nos presídios, fazer uma espécia de raio-x de todas elas, todos os líderes que comandam o crime organizado, ensina o especialista. Uma das medidas preventivas é evitar que estejam no mesmo espaço no sistema penitenciário.

No caso de Altamira, se sabe que a facção aliada ao PCC local tem rivalidade com o Comando Vermelho na região. E mesmo assim, os líderes dessas facções no presídio estavam no mesmo local, um grande erro da segurança pública estadual, que causou a carnificina dentro do CRRA.

O fato da direção da Superintendência do Sistema Penal admitir publicamente que não tinha informação prévia sobre essa verdadeira guerra, que se travou no presídio de Altamira é um fato grave e que demonstra como a administração da segurança pública é amadora. "Quando o Estado admite que não sabia de nada, também admite que não tem um sistema de inteligência que possa prevenir essas matanças nos presídios", acentua o profissional de segurança.

Segundo ele, a atenção da segurança pública estadual precisa está voltada para dentro dos presídios e a o sistema de inteligência apoiar a Susipe e se antecipar a estes episódios lamentáveis dentro do sistema penal local.

"Essa carnificina é pior que a chacina de Eldorado dos Carajás, é a pior que já ocorreu no Pará e é o momento de se repensar a gestão da segurança pública. Isso é estratégico", ensina.

Ontem no final da tarde, a Segup informou que o governo estadual determinou a transferência de 46 presos do presídio de Altamira, dentre eles, dez são líderes de facções criminosas, que estavam juntos no mesmo local.

No CRRA a capacidade de lotação é de 208 presos. Porém, no momento da carnificina havia 311 presos acumulados na carceragem, o que faz da superlotação um dos problemas das casas penais.

Fonte: Roma News