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    Artistas de esquerda são recebidos com vaias e pedras de gelo em Gramado ao fazer manifestação contra o governo Bolsonaro

    Caminhada de um grupo de diretores, produtores e artistas esquerdistas pelo tapete vermelho encerrou um festival marcado por um forte tom político

    Grupo de artistas realizou manifestação contra o governoEdison Vara / Agência Pressphoto
    A última noite do Festival de Cinema de Gramado foi marcada por tensão entre parte do público frequentador da Rua Coberta da cidade e artistas convidados do evento.

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    Por volta de 20h30min, quando vários dos diretores e produtores participantes atravessavam o tapete vermelho em direção ao Palácio dos Festivais entoando um cântico de protesto às recentes declarações e medidas de Jair Bolsonaro tendo o cinema como alvo, como a suspensão de um edital de filmes LGBT para TVs públicas, frequentadores que lotavam os bares e cafés da Rua Coberta, nas margens do tapete vermelho, responderam com vaias, palavras de ordem e até pedras de gelo.

    A passagem do cortejo de artistas deveria encerrar uma série de ações e manifestações políticas realizadas em Gramado durante esta 47ª edição do festival.


    Na mesma tarde de sábado (24), já havia ocorrido um abraço simbólico ao Kikito gigante que adorna o saguão do Palácio dos Festivais. À noite, com cartazes de filmes nas mãos e segurando faixas com declarações contra a censura, os artistas se dirigiram em um grande grupo para a entrada do palácio entoando o cântico "pelo cinema / pela cultura / por uma arte livre e sem censura". Parte dos espectadores que se aglomeravam desde cedo nos bares da Rua Coberta recepcionaram a passagem com vaias e gritos de apoio a Bolsonaro.

    Abraço simbólico foi feito no Kikito gigante que adorna o saguão do Palácio dos FestivaisEdison Vara / Agência Pressphoto
    — Ao longo desta semana, nós articulamos uma Carta de Gramado assinada por 63 entidades contra esse desmonte das políticas públicas para a cultura. Esta manifestação deveria fechar a mobilização, mas quando passamos, as pessoas começaram a urrar "Viva o Mito", "Viva Bolsonaro" e a nos chamar de vagabundos e jogar coisas em nós, restos de comida e pedras de gelo. Nunca imaginei passar por isso. Era uma noite de festa, estávamos fazendo um ato que imaginamos que teria uma repercussão para refletir lá em Brasília, não na gente aqui. Foi muito chocante — conta Maira Carvalho, produtora e diretora de arte do filme O Homem Cordial, um dos longas brasileiros em competição.

    Por Gleyson Araujo com informações Gauchazh