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Salles: Inpe não divulgou dados incorretos ‘de propósito’ e críticas foram ao ‘sensacionalismo e informações manipuladas’

Ministro disse que contratará sistema de monitoramento diário

Fátima Meira/Estadão Conteúdo
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, garantiu que, em reunião conjunta com Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta quarta-feira (31), a polêmica em torno dos dados do desmatamento na Amazônia ficou resolvia entre ambas as parte. Em entrevista ao Jornal da Manhã desta quinta-feira (1), ele explicou que ficou entendido que alguns dos dados divulgados continham informações antigas ou duplicadas, mas ressaltou que o Inpe não “agiu de ma-fé” e que o problema, na verdade, está na imprensa e algumas ONGs.


De acordo com o ministro, ficou provado que a divulgação do número de 88% de aumento no desmatamento da Amazônia em junho “não existe, é mentira”. “[Durante a reunião conjunta] nós pegamos todos os alertas de desmatamentos, fotografias das áreas, e mostramos que vários dos desmatamentos apontados para o mês de junho, na verdade, já vinham acontecendo desde agosto de 2018. Portanto, não é de junho de 2019. Além disso, também encontramos duplicidade de áreas, ou seja, desmatamentos que já haviam sido computados no passado e foram colocadas na conta novamente”, explicou.


Salles disse que, após o esclarecimento, o Inpe não só entendeu a posição do governo, como também concordou com ela e com a decisão de fazer algumas alterações no processo de medição. “O Inpe não fez de propósito, para causar. Quem fez foi quem interpretou os dados”, afirmou. “Tivemos o entendimento de que tudo foi de boa fé, e agora queremos uma melhoria mutua entre nós para gerar resultado positivo no combate ao desmatamento ilegal”, continuou.

Ele enfatizou que os dados errados partiram, na verdade, da imprensa. “Nós não estávamos brigando com números, como muitos jornalistas disseram, culpando o termômetro pela febre do paciente, as sim da manipulação que foi feita com eles para o fim indevido de criar pautas polêmicas. Isso é ruim e não ajuda na preservação. Nós queremos ter números adequados e parar de fazer sensacionalismo com eles, para que eles parem de ser utilizados de maneira enviezada, manipulados para criar manchetes bombásticas de jornal”, acrescentou.

Propostas

Questionado sobre de que maneira o ministério e o Inpe podem, então, tornar os dados mais corretos, Salles afirmou que será contratado um pacote de imagens de alta resolução, em tempo real, para permitir que a fiscalização “seja mais assertiva”. “Nós precisamos ter um sistema que nos ajude a fiscalizar diariamente, coisa que o Deter [atual sistema do Inpe que monitora as área via satélite] não faz. Para saber o que aconteceu de um dia pro outro, esse sistema atual não dá essa ferramenta, é preciso reconhecer isso”, disse.


Dessa forma, a visão será mais apurada e englobará uma área maior da Amazônia. As imagens, segundo ele, deverão “ser olhadas várias vezes ao dia. o que deve dar uma melhora subtancial ao sistema”.

Salles ressaltou, também, que vai tentar auxiliar o Inpe no trabalho trocando os bolsistas, que atualmente fazem essa função de monitoria, por funcionários internos. “Nós concordamos que utilizar bolsistas fragiliza a qualidade e a estrutura do monitoramento”, finalizou.


(Assista o vídeo)

Por Jovem Pan