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Aliados e advogados dizem que situação de Bolsonaro no PSL é ‘insustentável’

Pelo menos metade da bancada deve deixar a sigla para acompanhar o presidente

Alan Santos/PR
A relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o seu partido, PSL, está deteriorando cada vez mais. Mesmo afirmando oficialmente que não pretende sair da legenda, nos bastidores a equipe de Bolsonaro já se articula. Nesta quarta-feira (8), ele recebeu parlamentares que estariam dispostos a acompanhá-lo na saída do partido.

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A advogada Karina Kufa, que deixou de trabalhar para o PSL e agora atende o presidente da República, desconversa quando perguntada se o presidente deixa ou não a legenda, mas admite que a discussão está sendo feita. “Não dá para o presidente levar um encargo tão grande de um partido que acaba não permitindo que haja essa pluralidade. A gente tem diversos deputados que estão insatisfeitos porque não tem informação nenhuma, não tem acesso às contas, e é isso que foi pleiteado”, explicou.


A avaliação é de que, se o presidente deixar a sigla, mais da metade da bancada deve fazer o mesmo. A briga, que agora se tornou pública, não é recente: o comentário é que ela se estende desde a época da transição de governo.

Segundo o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o advogado Admar Gonzaga, a grande reclamação nesse momento, não só de Bolsonaro, é a falta de transparência dentro da legenda. “E como isso não foi permitido no ambiente em que ele se encontra, ele, como tem a bandeira da nova política, da transparência com o dinheiro público, ele não está confortável no ambiente onde se encontra”, disse.

O presidente, que saiu caminhando de surpresa pelos corredores do Palácio do Planalto, ao ser perguntado sobre os problemas no PSL, negou crise ou confusão e disse que é como uma “briga de marido e mulher”, acrescentando que o problema não é ele, mas que as pessoas querem um partido diferente. Segundo Bolsonaro, o PSL estaria estagnado.

Sobre permanecer ou não na legenda, ele disse que, por enquanto, está tudo bem. Ao falar sobre os conselhos dados a um apoiador na ultima terça-feira (7), quando disse para ele “esquecer o PSL”, o presidente tentou justificar afirmando que, se o homem começar a falar em partido agora, pode ser classificado como campanha eleitoral antecipada e negou a intenção de criar confusão.


O porta-voz da presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse que o presidente Bolsonaro deixou muito claro que não é intenção dele, nesse momento, deixar a legenda, e defendeu a necessidade do PSL ser um referencial na política. “Não pretende deixar o PSL de livre e espontânea vontade. “Qualquer decisão nesse sentido será unilateral. O presidente reiterou que uma de suas premissas é a firmeza na defesa das bandeiras de campanha”, disse.

Ainda nesta quarta-feira (9), o presidente do PSL, Luciano Bivar, tentou reagir e afirmou que, na verdade, é o presidente da República quem já estaria afastado do partido. Cerca de 15 parlamentares estiveram com Bolsonaro no Palácio do Planalto e endossaram o discurso de que é preciso mais transparência. Agora, a avaliação jurídica que se busca é como sair do partido sem correr o risco do PSL pedir a cassação dos mandatos.


Com informações da repórter Luciana Verdolin