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Antropólogo é detido ao tentar impedir fiscalização do Ibama no Pará; veja vídeo

Reprodução TV Cidade News
Um antropólogo foi detido neste domingo (16) depois de se recusar a deixar a área de uma terra indígena no Pará. Um vídeo gravado por Edwad Luz e divulgado em redes sociais mostra o momento em que ele é advertido por agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) dentro da Terra Indígena Ituna-Itatá, cujos limites abrangem áreas dos municípios de Altamira e Senador José Porfírio.

Após se recusar a deixar o local sob ordens de dois agentes do Ibama, um dos fiscais afirma que, se Edward Luz não se retirar da área, será preso. Edward Luz pede, então, que o agente mostre a ordem de prisão, ao que o agente responde “trata-se de um flagrante de delito”. Edward Luz rebate dizendo que o agente é servidor do Ibama e, por isso, não teria esse poder – “peço desculpas”, finaliza. Em seguida, o agente responde: “Então, tá. O senhor está preso”, e a gravação é cortada de forma brusca.


Assista o momento da prisão


Antes de ser detido, Edward Luz alegou estar no local para cumprir um acordo firmado entre o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o Ministério Publico Federal (MPF) contra destruição de “patrimônio de população em situação de fragilidade”.

Segundo Luz, ele foi procurar o chefe da fiscalização, “na melhor das boas intenções”, para alertar que agentes não poderiam fazer a fiscalização lá, parada “por ordem ministerial”, segundo ele. Edward Luz afirma que os fiscais estavam desobedecendo Salles.



Nesta segunda-feira (17), o ministro Ricardo Salles disse à TV Globo que não conhece o antropólogo, e que o viu pela primeira vez na semana passada, num encontro com representantes do MPF e políticos locais no qual foi firmado um acordo sobre as fiscalizações na região.

Salles também defendeu a ação que o Ibama realizou no domingo na terra indígena.

À TV Liberal, afiliada da Rede Globo, Edward Luz contou que a detenção ocorreu por volta das 12h30 de domingo, e que ele foi autuado pelo crime de desobediência.

O antropólogo contou ainda que “estava a serviço de clientes”, identificados como membros de uma associação de produtores industriais.

Reunião debateu fiscalização na Terra Indígena

A Terra Indígena Ituna-Itatá, cujos limites abrangem áreas dos municípios de Altamira e Senador José Porfírio, é alvo de ações de fiscalização do Ibama contra invasões e desmatamentos que ocorrem desde 2016. Segundo o Ministério Público Federal, a área ainda não foi demarcada, mas já conta com proteção e restrição de uso pela possível presença de indígenas isolados.

Edward Luz diz que, na terça-feira (11), havia participado de uma reunião com o ministro Salles, que havia se comprometido a interromper a destruição de propriedades e máquinas encontradas na terra indígena Ituna-Itatá por 30 dias, até que a Funai comprovasse a existência de índios isolados lá.



Em nota divulgada na quarta-feira (12), o MPF afirma que, efetivamente, houve uma reunião entre representantes do órgão, o ministro Ricardo Salles e políticos da região – entre eles, o senador Zequinha Marinho (PSC/PA).

Reunião em Brasília com o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales
Nesse encontro, ficou definido que: na área considerada reservada da terra indígena, a fiscalização continuaria; na área não reservada, as atividades de remoção de quem está em situação de vulnerabilidade social ficariam suspensas por 30 dias.

Ainda de acordo com o MPF, Salles se comprometeu a monitorar a área diariamente por satélite e, caso venham a ser constatados novos desmatamentos, as ações do Ibama na área não demarcada retornarão.



Após ser solto, Edward Luz divulgou, em redes sociais, um áudio convocando pessoas a irem à Altamira traçar uma estratégia para que o acordo com Salles seja respeitado.

Por Gleyson Araujo, com informações do G1PA