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Trump mira na China e atira na OMS

O presidente Donald Trump acusou a OMS (Organização Mundial da Saúde) de ter errado na avaliação da gravidade da pandemia, e de ter feito isso para proteger a China: “Muito China-cêntrica”, criticou o presidente. Ele disse que vai rever as verbas que os Estados Unidos repassam ao organismo.

Presidente dos EUA, Donald Trump, e presidente da China, Xi Jinping, durante encontro do G20 em OsakaFoto: Kevin Lamarque/Reuters - 29/06/2019
Trump mencionou o valor de cerca de US$ 50 milhões por ano, mas disse que há outras somas que também são transferidas para programas específicos. O presidente disse que não decidiu ainda que vai cancelar os pagamentos, mas que seu governo vai estudar o uso do dinheiro. Se estiverem fazendo coisas boas, vai manter, se não, vai suspender, afirmou.

Segundo Trump, a OMS se opôs à proibição da entrada de estrangeiros vindos da China, por ele determinada no dia 31 de janeiro. Em entrevista coletiva na Casa Branca, na noite de terça-feira (7), um repórter perguntou se o próprio Trump não menosprezou a ameaça do coronavírus, no início. Trump respondeu que, como presidente, não podia alarmar o país, mas que adotou medidas bastante duras, como a proibição dos estrangeiros vindos da China, depois, da Europa e, finalmente, do Reino Unido.


Um repórter perguntou também quando Trump pretende pôr fim às medidas de isolamento e distanciamento social para reativar a economia. “O mais breve possível”, respondeu o presidente. Ele contou que havia conversado com Andrew Cuomo, e que o governador de Nova York acredita que a curva de casos chegou ao máximo.

“Achávamos que haveria muito mais mortes”, admitiu o presidente. “Mas parece que vai ser isso”, acrescentou, referindo-se ao possível achatamento da curva a partir de agora. “Mas vamos ver. Eu nem quero afirmar isso. Quero focar no trabalho.” Trump defendeu o uso que tem feito da Lei de Produção para a Defesa para obrigar as empresas americanas a fabricar produtos necessários para o combate à pandemia e também a enviar para os Estados Unidos material necessário, destinado a outros países.

Isso aconteceu, por exemplo, com máscaras fabricadas pela 3M para a China, e que o governo requisitou para os EUA. Essa está sendo uma prática generalizada. O próprio Brasil tem bloqueado a exportações de máscaras. E tem por sua vez tentado convencer a Índia a lhe fornecer hidroxicloroquina, o medicamento “prescrito" pelos presidentes Trump e Jair Bolsonaro. Os indianos bloquearam as exportações do medicamento, indicado para malária, lupus e artrose.



O novo embaixador americano em Brasília, Todd Chapman, disse no entanto ao repórter André Spigariol, da CNN, que não foi o governo que reteve em Miami os 600 respiradores que vinham para a Bahia e o Ceará. Segundo Chapman, foram os fornecedores, que podem querer vender a um preço mais alto que o combinado, aproveitando a escassez.

Trump disse na coletiva que indústrias americanas estão fabricando “milhares” de kits de testes para a COVID-19, e de "boa qualidade”, já que, segundo ele, há testes que deixam os pacientes na mesma. O presidente afirmou que os EUA vão fornecer esses kits a outros países, para ajudá-los.


Com informações da CNN